Publicado em: 22/01/2026
Nesta quarta-feira (21 de janeiro), o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento — instituição que operava no mercado como Will Bank, banco digital controlado pelo Banco Master. A medida encerra de vez as operações da instituição no sistema financeiro nacional.
A decisão foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da Will Bank e sua insolvência, além do fato de estar diretamente ligada ao Banco Master, que já havia passado por liquidação extrajudicial em novembro de 2025 devido a graves problemas financeiros e investigação policial.
O Banco Central tentou, inicialmente, preservar a operação por meio de um Regime Especial de Administração Temporária (RAET) — uma espécie de “gestão supervisionada” que permite ao regulador manter a instituição funcionando enquanto se busca uma solução. No entanto, sem oferta concreta de comprador ou recuperação financeira, a liquidação foi considerada inevitável.
A liquidação extrajudicial significa que o banco é retirado do Sistema Financeiro Nacional e suas operações são interrompidas, abrindo caminho para pagamentos a credores e investidores sob regras de liquidação.
Para quem tinha conta, cartão ou investimentos no Will Bank, o impacto é direto:
Serviços bancários foram suspensos, incluindo transações e uso de cartões, que já haviam sido bloqueados por empresas como a Mastercard diante do risco de inadimplência.
Investidores com aplicações estão na fila de credores, e os ativos passam a ser tratados como parte do processo de liquidação.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deve entrar em ação para cobrir depósitos e investimentos elegíveis até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, conforme regras previstas na legislação para situações desse tipo.
O Will Bank fazia parte de um conjunto de instituições vinculadas ao grupo do Banco Master, que ganhou destaque nos últimos anos oferecendo serviços digitais com rendimentos e taxas competitivas. No entanto, relatórios das autoridades apontaram falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez, e o banco acabou sob investigação por uso irregular de créditos e títulos.
As operações desastrosas do Master e suas controladas chamaram a atenção até de tribunais superiores, já que o Banco Central precisou explicar sua atuação perante o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF) em questões ligadas à liquidação das instituições.
Embora o Will Bank representasse uma pequena fatia do total de ativos no país (menos que 1 %), sua liquidação faz parte de um movimento mais amplo de fiscalização mais rígida pelo Banco Central, que vem reforçando sua atuação em casos de risco sistêmico.
A situação reforça que, mesmo instituições digitais e inovadoras precisam manter solidez financeira e governança transparente, sob pena de perder a confiança do mercado e a autorização para funcionar. Ao mesmo tempo, a atuação do FGC demonstra como mecanismos de proteção ao poupador continuam sendo essenciais para manter a estabilidade e a confiança no sistema bancário.