Publicado em: 02/02/2026
A Justiça do Ceará passou a analisar novos elementos que indicam o possível envolvimento de integrantes da Guardiões do Estado (GDE) em crimes que vão além do tráfico de drogas, incluindo extorsão, homicídios sob encomenda e articulação a partir do sistema prisional.
As informações constam em decisões judiciais recentes que autorizaram medidas investigativas mais amplas, como quebras de sigilo e monitoramento de comunicações.
Segundo apuração do Page News, os investigadores identificaram uma estrutura organizada, com divisão de funções e liderança exercida, em parte, por detentos.
Um dos pontos centrais da investigação envolve a comunicação entre presos e membros em liberdade. De acordo com fontes ligadas ao caso, ordens para execuções e cobranças de “taxas” em comunidades teriam partido de unidades prisionais da Região Metropolitana de Fortaleza.
O delegado Sérgio Macedo, que atua no combate ao crime organizado, explica que o fenômeno não é novo, mas segue desafiando o Estado.
“O presídio virou centro de comando. Cortar essa comunicação é uma das maiores dificuldades”, afirma.
Moradores de bairros da periferia relatam viver sob constante intimidação. Maria José da Silva, 45 anos, comerciante, conta que já foi obrigada a fechar o pequeno mercantil mais cedo após ameaças.
“A gente vive com medo. Não pode denunciar, não pode falar”, relata.
Segundo especialistas, o controle territorial exercido por facções afeta diretamente a economia local, o funcionamento de escolas e até o transporte público.
A Secretaria da Segurança Pública informou que as investigações fazem parte de uma estratégia integrada que envolve Polícia Civil, Ministério Público e sistema penitenciário.
O cientista social Bruno Albuquerque, pesquisador em violência urbana, avalia que a repressão precisa caminhar junto com políticas sociais.
“Só prender não resolve. É preciso ocupar esses territórios com serviços, educação e oportunidades”, defende.
Por enquanto, parte do processo corre sob segredo de Justiça. Novas fases da investigação não estão descartadas, assim como a ampliação do número de investigados.
🔍 Cenário atual:
A Justiça avança, mas o enfrentamento ao crime organizado segue como um dos maiores desafios do Ceará.