PROTESTO NA BEIRA-MAR REÚNE ATIVISTAS CONTRA VIOLÊNCIA ANIMAL E COBRA PUNIÇÕES MAIS RIGOROSAS NO CEARÁ - Pagenews

PROTESTO NA BEIRA-MAR REÚNE ATIVISTAS CONTRA VIOLÊNCIA ANIMAL E COBRA PUNIÇÕES MAIS RIGOROSAS NO CEARÁ

Publicado em: 02/02/2026

PROTESTO NA BEIRA-MAR REÚNE ATIVISTAS CONTRA VIOLÊNCIA ANIMAL E COBRA PUNIÇÕES MAIS RIGOROSAS NO CEARÁ
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A manhã deste domingo foi marcada por um protesto silencioso — mas carregado de indignação — na Avenida Beira-Mar, em Fortaleza. Com cartazes, camisetas brancas e fotos de animais vítimas de agressões, ativistas e protetores independentes se reuniram para denunciar o aumento dos casos de violência animal no Ceará.


A mobilização ocorreu após a repercussão de episódios recentes de maus-tratos que circularam nas redes sociais e geraram comoção pública.


“Não é só um caso isolado. É um padrão de crueldade que vem se repetindo”, afirmou Juliana Menezes, 34 anos, protetora independente e uma das organizadoras do ato.


Casos se acumulam e viram rotina para quem resgata


Juliana atua há mais de seis anos no resgate de animais em situação de abandono na periferia de Fortaleza. Segundo ela, o volume de denúncias aumentou nos últimos meses.


“Recebemos vídeos quase todos os dias. Cachorros espancados, envenenados, queimados. Muitos não sobrevivem”, relata.


Dados da Secretaria da Segurança Pública do Ceará apontam que o número de denúncias de maus-tratos cresceu nos últimos anos, impulsionado principalmente pelo uso das redes sociais como ferramenta de exposição e denúncia.


Lei existe, mas punição ainda é falha


Desde 2020, a legislação brasileira prevê pena de até cinco anos de prisão para quem comete maus-tratos contra cães e gatos. Mesmo assim, ativistas afirmam que poucos casos resultam em condenação efetiva.


O advogado Rafael Queiroz, especialista em direito ambiental, explica o gargalo.
“A lei avançou, mas a investigação ainda é lenta. Falta estrutura, perícia e prioridade”, afirma.


Segundo ele, muitos inquéritos acabam arquivados por falta de provas técnicas ou identificação dos agressores.


Beira-Mar como palco simbólico


A escolha da Beira-Mar não foi por acaso. O local turístico garante visibilidade e chama atenção de moradores e visitantes.


Entre os manifestantes estava Dona Lúcia Alves, 62 anos, aposentada, que segura um cartaz simples: ‘Quem maltrata animal, também machuca pessoas’.


“Eu já vi vizinho bater em cachorro. Denunciei. Quero justiça”, disse.


Pressão popular como ferramenta de mudança


Organizações de proteção animal defendem a criação de delegacias especializadas, campanhas educativas e canais mais ágeis para denúncias.


“A sociedade está acordando. Agora o poder público precisa acompanhar”, resume Juliana.


📢 O recado do protesto:
Maus-tratos não são crime invisível — e a impunidade também machuca.

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