Trump convida Lula, Milei e dezenas de líderes para novo “Conselho de Paz” que deve governar Gaza após cessar-fogo - Pagenews

Trump convida Lula, Milei e dezenas de líderes para novo “Conselho de Paz” que deve governar Gaza após cessar-fogo

Publicado em: 19/01/2026

Trump convida Lula, Milei e dezenas de líderes para novo “Conselho de Paz” que deve governar Gaza após cessar-fogo
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um novo passo em sua estratégia para o Oriente Médio ao propor a criação de um conselho internacional que assumiria a administração da Faixa de Gaza no período pós-conflito. A iniciativa, apresentada a líderes mundiais nas últimas semanas, inclui convites a chefes de Estado da América Latina, Europa, Oriente Médio e Ásia — entre eles os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Javier Milei, da Argentina.


A proposta surge em meio a um cenário de cessar-fogo frágil, destruição em larga escala e ausência de uma autoridade consensual para conduzir a reconstrução e a governança do território palestino. Segundo interlocutores diplomáticos, a ideia de Trump é formar um órgão multinacional com poder político, administrativo e econômico para conduzir uma transição institucional em Gaza.


Como funcionaria o conselho


O plano prevê que o conselho atue como uma espécie de autoridade provisória, responsável por coordenar serviços essenciais, reorganizar a administração local e atrair investimentos internacionais para reconstrução de infraestrutura, moradia, saúde e educação.


A governança seria compartilhada entre líderes convidados e um núcleo técnico formado por especialistas em diplomacia, segurança e economia. O modelo defendido pelo governo norte-americano aposta em uma condução internacional como forma de evitar o vácuo de poder e reduzir o risco de novos ciclos de violência.


Convite a líderes ideologicamente opostos


Um dos pontos que mais chama atenção é a diversidade política dos convidados. Ao incluir Lula e Milei no mesmo conselho, Trump sinaliza que a iniciativa busca amplitude diplomática, ainda que reúna líderes com visões opostas sobre política internacional, direitos humanos e papel do Estado.


Para analistas, a presença de países fora do eixo tradicional do Oriente Médio indica uma tentativa de globalizar a responsabilidade sobre Gaza, retirando o peso exclusivo das potências regionais e das organizações multilaterais tradicionais.


Até o momento, o governo brasileiro não anunciou publicamente se aceitará o convite. Já o presidente argentino demonstrou disposição em participar de iniciativas internacionais voltadas à estabilidade e combate ao extremismo.


Reações e cautela internacional


Apesar do impacto do anúncio, a proposta é recebida com cautela em círculos diplomáticos. Há questionamentos sobre a legitimidade de um conselho externo para governar um território palestino, bem como dúvidas sobre o envolvimento direto da população local nas decisões.


Outro ponto sensível é o financiamento. A reconstrução de Gaza exigiria bilhões de dólares, o que levanta discussões sobre quem arcaria com os custos e quais contrapartidas políticas estariam envolvidas.


Uma aposta de alto risco político


A iniciativa de Trump representa uma das mais ousadas tentativas recentes de redesenhar a governança de Gaza. Para defensores, trata-se de uma oportunidade de romper com modelos que falharam ao longo de décadas. Para críticos, o plano pode gerar novos impasses diplomáticos e resistências no cenário internacional.


Enquanto os convites seguem sendo avaliados pelos governos envolvidos, a proposta já coloca Gaza novamente no centro das decisões globais — não apenas como território em conflito, mas como palco de uma disputa sobre quem deve decidir o futuro da região.

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