Publicado em: 24/01/2026
Em um discurso enfático realizado na última sexta-feira (23), durante o encerramento de um evento do MST em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a nova iniciativa diplomática de Donald Trump: o chamado "Conselho de Paz". Para Lula, a proposta americana não passa de uma tentativa de esvaziar a Organização das Nações Unidas (ONU) e substituir o multilateralismo por um controle unilateral dos Estados Unidos.
Lançado oficialmente em janeiro de 2026, o Conselho de Paz é apresentado por Trump como uma alternativa à ONU, a qual ele classifica como "ineficaz". O estatuto da nova organização possui pontos que geram controvérsia global:
Poder Centralizado: Trump é a única autoridade com poder de veto permanente.
Custo de Entrada: Países que desejam assentos permanentes devem desembolsar cerca de US$ 1 bilhão.
Foco Expandido: Embora inicialmente focado na reconstrução de Gaza (com promessas de "hotéis de luxo" no local), o conselho agora pretende mediar conflitos na Ucrânia e na América Latina.
"Trump quer criar sozinho uma nova ONU, como se ele fosse a própria ONU. Ele quer ser o dono", afirmou Lula, ressaltando que a Carta das Nações Unidas está sendo "rasgada".
As declarações de Lula ecoam um sentimento de rejeição que cresce na Europa, especialmente na França. O presidente Emmanuel Macron recusou formalmente o convite para integrar o conselho, reafirmando que a ONU deve continuar sendo a "pedra angular" das relações internacionais.
A recusa francesa gerou uma reação imediata de Washington. Trump ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses como retaliação. Segundo o jornal Le Monde, a diplomacia francesa vê o projeto como uma ameaça à soberania dos Estados e uma tentativa de institucionalizar a "lei do mais forte".
Apesar das críticas públicas de Lula, o Itamaraty ainda mantém uma postura de cautela oficial e não enviou uma resposta formal à Casa Branca. O governo brasileiro tem consultado aliados como China e Rússia para articular uma proposta de "refundação" da ONU original, buscando reformas que incluam o Brasil no Conselho de Segurança, em vez de aderir ao novo órgão americano.
Lula concluiu seu discurso reafirmando sua postura pacifista: "Não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos. Quero fazer guerra com o poder do convencimento e dos argumentos".