Publicado em: 29/01/2026
A rotina tranquila de uma rua residencial no bairro Passaré, em Fortaleza, foi quebrada por tiros e gritos na noite da última segunda-feira. O que, à primeira vista, parecia mais um crime violento, revelou-se parte de um conflito antigo, silencioso e alimentado por interesses comerciais.
A vítima, Vera Lúcia Sousa, 47 anos, trabalhava há mais de uma década no comércio informal e mantinha um pequeno ponto de vendas em um centro popular de negócios da Capital. Segundo apurado pelo Page News, a principal linha de investigação aponta que uma disputa por espaço comercial motivou o ataque que terminou com a morte da comerciante e deixou o marido dela ferido.
Embora o homicídio tenha ocorrido no Passaré, investigadores avaliam que o conflito nasceu longe dali — em corredores apertados, boxes disputados e acordos quebrados em áreas comerciais populares de Fortaleza.
“Não foi algo impulsivo. Havia tensão, ameaças veladas e uma briga por território”, relatou uma fonte ligada à investigação, sob reserva.
Na noite do crime, Vera foi surpreendida ao chegar em casa. O atirador efetuou vários disparos. O marido, Antônio Carlos Lima, 52 anos, motorista por aplicativo, tentou socorrê-la e acabou atingido no braço.
Vizinhos relataram momentos de pânico.
“Foi tudo muito rápido. A gente só ouviu os tiros e depois os pedidos de socorro”, contou Luciana Freitas, técnica em enfermagem que mora na rua há oito anos.
Horas depois do crime, a Polícia prendeu Paulo Henrique da Silva, 34 anos, vizinho do casal, apontado como executor. Durante as diligências, uma mulher também foi detida, suspeita de ter ordenado o crime.
Segundo os autos, a investigação identificou movimentações financeiras, trocas de mensagens e testemunhos que indicam planejamento prévio.
Para o sociólogo Marcos Vinícius Teixeira, pesquisador da violência urbana, o caso revela uma face pouco discutida do comércio informal.
“Esses espaços movimentam muito dinheiro e, quando não há regulação clara, conflitos acabam sendo resolvidos na base da violência”, analisa.
Após o crime, o clima no Passaré é de apreensão. Muitos moradores evitam comentar o caso, com receio de represálias.
A morte de Vera deixou duas filhas e uma pergunta que ecoa no bairro: quantos conflitos invisíveis ainda estão prestes a explodir?