Acidente em andaime em São Paulo: jovem de 19 anos morre e é o terceiro trabalhador vítima de queda em dias - Pagenews

Acidente em andaime em São Paulo: jovem de 19 anos morre e é o terceiro trabalhador vítima de queda em dias

Publicado em: 16/01/2026

Acidente em andaime em São Paulo: jovem de 19 anos morre e é o terceiro trabalhador vítima de queda em dias
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Coluna de Segurança e Trabalho — Page News


São Paulo (SP) — Um grave acidente de trabalho em uma obra na zona leste de São Paulo terminou em tragédia nesta terça-feira (13): um andaime desabou enquanto operários realizavam serviços em altura, deixando vários trabalhadores feridos e um jovem morto. A vítima fatal foi identificada como Lucas Henrique dos Santos, de 19 anos, que trabalhava como servente de obra e não resistiu aos ferimentos após a queda da estrutura improvisada.


Segundo os bombeiros que atenderam a ocorrência, a queda aconteceu por volta das 15h30, quando o jovem e outros operários estavam a uma altura considerável sem proteção coletiva adequada. A perícia foi acionada e o local permanece isolado enquanto se apuram as causas. Autoridades ainda não confirmaram oficialmente o número total de feridos atendidos em hospitais da região.


Outros acidentes recentes — alerta nacional


A tragédia em São Paulo ocorre em um momento em que acidentes com trabalhadores em altura e estruturas suspensas têm se repetido pelo país.


📍 Pará — queda de torre com duas mortes
Na última semana, no oeste do estado do Pará, dois trabalhadores morreram após uma torre de transmissão desabar enquanto realizavam manutenção no topo da estrutura. As vítimas — João Paulo Souza, 34 anos, e Marcelo Ribeiro, 29 anos — despencaram de grande altura, segundo relatos preliminares da Defesa Civil local.


📍 Araçatuba (SP) — choque elétrico e queda de andaime
Em outubro de 2025, o trabalhador Vinicius Salles, 22 anos, morreu após sofrer um choque elétrico e cair de andaime enquanto trabalhava na instalação de estruturas metálicas.


Somente em 2023, o Brasil registrou 2.888 acidentes de trabalho fatais, conforme dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego, com grande parte das ocorrências concentradas na construção civil — especialmente quedas de altura e falhas em equipamentos suspensos.


Especialistas alertam que esses números podem ser ainda maiores, devido à subnotificação em áreas informais da economia.


O que dizem especialistas e representantes da segurança no trabalho


Para analisar o fenômeno, ouvimos o engenheiro de segurança do trabalho, Dr. Ricardo Almeida, especialista em gestão de riscos em obras de grande porte:



“Quedas de altura continuam sendo uma das principais causas de acidentes fatais no país, sobretudo quando faltam sistemas de proteção coletiva eficazes e fiscalização rigorosa. Além de EPIs, o treinamento constante, supervisão técnica e planejamento seguro das tarefas em altura são elementos essenciais para prevenir essas tragédias”, afirma Almeida.



O especialista destaca que a maioria dos acidentes poderia ser evitada com medidas simples de proteção, inspeções periódicas de andaimes e plataformas suspensas, e o cumprimento estrito das NR-35 (Norma Regulamentadora de Trabalho em Altura).


Também conversamos com a presidente do sindicato dos trabalhadores da construção civil, Marina Costa, que acrescenta:



“Perder mais um jovem trabalhador em serviço é inaceitável. As empresas precisam investir em equipamentos de segurança adequados e respeitar a legislação trabalhista. Os trabalhadores têm direito a treinamentos, pausas e condições que minimizem os riscos do dia a dia.”



Quais são os cuidados obrigatórios e a lei de amparo ao trabalhador


A legislação brasileira de segurança do trabalho — especialmente as Normas Regulamentadoras (NRs) — estabelece uma série de obrigações:




  • NR-35: exige planejamento e supervisão de atividades em altura.




  • EPIs e EPCs: fornecimento gratuito e adequado de Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva.




  • Treinamento obrigatório de todos os trabalhadores que atuam a mais de 2 metros do solo.




  • CIPA e SESMT: comissões internas e equipes especializadas para fiscalizar riscos e elaborar planos de prevenção.




Especialistas alertam que negligenciar qualquer uma dessas etapas não só cria um ambiente inseguro, como também expõe as empresas a penalidades severas, inclusive por crime de responsabilidade em caso de morte.


No Brasil, acidentes de trabalho continuam altos — entenda os números


Dados do governo apontam que, em média, ocorrem mais de 83 acidentes de trabalho por hora no país, com um número total de mais de 730 mil ocorrências registradas em 2023, incluindo dezenas de milhares de afastamentos prolongados e milhares de mortes.


Os casos mais recentes, como o de Lucas Henrique e os trabalhadores no Pará, indicam que as quedas de altura continuam uma das principais causas de fatalidades, especialmente entre trabalhadores terceirizados e jovens em início de carreira.


Conclusão — um alerta para mudanças efetivas


O ciclo de acidentes que segue vitimando trabalhadores evidencia a necessidade urgente de cultura de prevenção, fiscalização robusta e responsabilidade compartilhada entre empresas, órgãos públicos e trabalhadores. Até que as causas sejam oficializadas, famílias enlutadas, colegas e especialistas clamam por ações que transformem tragédias em marcos de mudança.

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