Publicado em: 21/01/2026
A noite da última terça-feira (20) foi marcada por tensão e mobilização nas redes sociais em Sobral, na Região Norte do Ceará. Vídeos que começaram a circular em grupos de WhatsApp mostravam a rua Joaquim Ribeiro, em um trecho popularmente conhecido como Beco dos Mecânicos, com o meio-fio pintado de amarelo nos dois lados da via — sinalização que indica proibição de parada e estacionamento.
A mudança, realizada no início da noite, foi rapidamente interpretada como uma ameaça direta ao sustento de mecânicos autônomos que há anos utilizam o espaço para realizar serviços em frente às lojas de autopeças da região. O local é conhecido por concentrar oficinas informais e trabalhadores que dependem do fluxo de veículos e da possibilidade de estacionar para garantir renda.
Em um dos vídeos que viralizaram, um mecânico aparece visivelmente indignado e questiona como poderia continuar trabalhando diante da nova sinalização. O tom de preocupação se repetiu em diversos áudios e mensagens, que rapidamente ganharam força e chegaram até o gabinete do prefeito Oscar Rodrigues (União Brasil), alvo de cobranças diretas por parte da categoria.
A repercussão foi tão intensa que, ainda na mesma noite, a Prefeitura de Sobral voltou ao local e refez a pintura, devolvendo a cor branca ao meio-fio e, com isso, suspendendo a proibição que havia sido implantada horas antes.
Em nota e em declarações posteriores, o secretário municipal do Trânsito, Leandro Costa, explicou que a situação ocorreu devido a um equívoco de um integrante da equipe operacional. Segundo ele, a falha foi identificada pelo supervisor responsável e corrigida imediatamente após a confirmação do erro. “Não houve intenção de prejudicar os trabalhadores. Foi uma falha pontual e já resolvida”, afirmou.
O episódio reacende um debate importante em Sobral e em outras cidades do Ceará: a necessidade de diálogo entre o poder público e os trabalhadores informais, especialmente em áreas onde o comércio popular e os serviços autônomos fazem parte da identidade econômica local.
Situações semelhantes já foram registradas em Fortaleza, em bairros como Montese e Parangaba, onde mudanças na sinalização viária também geraram conflitos com comerciantes e prestadores de serviço. Especialistas em mobilidade urbana defendem que qualquer alteração desse tipo deve ser precedida de estudos técnicos e escuta ativa da comunidade afetada.
No Beco dos Mecânicos, o amarelo durou poucas horas, mas foi tempo suficiente para mostrar a força da mobilização popular e o poder das redes sociais em pautar decisões públicas. Para os trabalhadores, o recuo foi visto como uma vitória — e um alerta para que futuras mudanças não aconteçam sem aviso ou conversa prévia.