Publicado em: 05/02/2026
Uma polêmica envolvendo Valentina Muniz, filha do humorista Wellington Muniz — mais conhecido como Ceará — e da influenciadora Mirella Santos, voltou a provocar um debate sério e amplamente compartilhado nas redes: até que ponto crianças devem aparecer e ter perfis próprios nas mídias sociais?
O episódio começou quando o perfil oficial de Valentina no Instagram foi removido por determinação do Ministério Público, após investigações que apontaram suspeitas de trabalho infantil digital — algo que os pais negam veementemente.
Ao longo de 2025, a conta de Valentina vinha apresentando instabilidade: caía e voltava sem explicação aparente. Porém, no dia 7 de setembro, a página foi definitivamente removida pela plataforma após uma notificação do Ministério Público, que alegou a existência de postagens que poderiam configurar exploração de trabalho infantil digital.
Os pais — Ceará e Mirella Santos — afirmaram em entrevistas que a conta foi criada “simplesmente para proteger o nome da filha” e evitar que fãs ou perfis de fã-clube usassem indevidamente sua imagem no futuro. Segundo eles, a criança nunca teria realizado trabalho profissional ou ações comerciais, e que os vídeos e fotos publicados eram supervisionados por eles e feitos de forma “leve e divertida”.
O caso gerou reações em larga escala porque tocou em um dilema que muitas famílias enfrentam hoje em dia: a “normalização” de perfis infantis ativos nas redes sociais.
Especialistas em direito digital e proteção infantil lembram que, no Brasil, não existe uma lei específica que proíba pais de postar fotos ou vídeos de seus filhos nas redes. Ainda assim, há muitas preocupações jurídicas e éticas envolvidas — como a questão do consentimento, que crianças pequenas não podem fornecer de forma livre e informada, e os riscos de que esses dados e imagens possam ser usados por terceiros com intenções mal-iciosas.
Psicólogos consultados por veículos de imprensa reforçam que, embora muitos pais utilizem as redes para guardar recordações de momentos familiares, há uma diferença entre esse uso pessoal e a criação de um perfil que pode atrair milhões de olhares externos — especialmente quando essas publicações começam a render visualizações, seguidores e engajamento.
Para muitos responsáveis, publicar imagens e vídeos de seus filhos é apenas uma maneira de compartilhar momentos felizes com amigos e familiares.
— “É uma forma de guardar memórias e dividir alegria com nossa rede,” diz uma mãe que prefere não se identificar, comentando sobre o uso rotineiro de redes sociais em família.
Já especialistas alertam que o problema surge quando a exposição passa a atender a uma audiência externa e quando há um descompasso entre a necessidade de socialização digital e a proteção da privacidade da criança — algo que tem sido cada vez mais discutido em fóruns de direito digital e por organizações que defendem direitos das crianças.
Em vários países europeus, debates legislativos têm avançado para estabelecer regras claras sobre o uso da imagem de crianças online e o chamado direito à imagem digital infantil, o que inclui a necessidade de salvaguardar dados, evitar que fotos sejam indexadas por mecanismos de busca e garantir que o compartilhamento só ocorra sob critérios bem definidos de privacidade e consentimento.
No Brasil, apesar de a regra ainda estar no estágio inicial de discussão, as recentes decisões de órgãos como o Ministério Público mostram que o tema está cada vez mais presente na agenda judicial e social.
O caso de Valentina Muniz serve como um alerta sobre os riscos e desafios contemporâneos:
👉 até que ponto a exposição infantil nas redes é apenas registro de memória e quando isso pode ultrapassar limites que colocam a criança sob risco?
👉 como equilibrar proteção, privacidade e engajamento na era digital?
Debates como esse — que envolvem tecnologia, direito, educação e cuidado familiar — mostram que, mesmo em situações aparentemente simples, as redes sociais podem revelar questões profundas sobre responsabilidade, segurança e infância na era digital.