Publicado em: 02/02/2026
Foto: Governo do Estado/CE
O Ceará encerrou o último período com um saldo positivo de mais de 49 mil novos empregos com carteira assinada, segundo dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O resultado coloca o estado entre os que mais geraram vagas no Nordeste e sinaliza uma retomada gradual da confiança econômica.
Por trás dos números, existem histórias como a de Marcos Vinícius Oliveira, 41 anos, pedreiro, que voltou ao mercado após quase dois anos vivendo de bicos.
“Teve mês que eu só conseguia um serviço ou dois. Agora estou registrado numa obra grande. Dá pra respirar de novo”, conta.
Os setores que mais impulsionaram a geração de empregos foram serviços, construção civil e indústria de transformação. Obras públicas e privadas, retomada do turismo e ampliação de serviços terceirizados ajudaram a puxar os números.
A economista Larissa Fontenele, pesquisadora do mercado de trabalho, explica que o cenário ainda exige cautela.
“O crescimento é real, mas desigual. A maioria das vagas paga até dois salários mínimos, o que mantém muitas famílias no limite do orçamento”, analisa.
Mesmo assim, ela destaca que o emprego formal traz benefícios importantes, como acesso a direitos trabalhistas e estabilidade mínima.
Diferente de outros ciclos de crescimento, desta vez o interior do Ceará também apresentou desempenho relevante. Municípios como Juazeiro do Norte, Sobral e Iguatu registraram aumento nas admissões, especialmente no comércio e em pequenas indústrias.
Francisca Maria Lopes, 29 anos, operadora de caixa, conseguiu o primeiro emprego formal em um supermercado de Juazeiro.
“Antes era só diária. Agora tenho carteira assinada, férias, décimo. É outra segurança”, diz.
Apesar do avanço, especialistas alertam para desafios estruturais: informalidade elevada, rotatividade alta e dificuldade de inserção de jovens sem experiência.
O sociólogo Henrique Bastos, da área de políticas públicas, afirma que o crescimento precisa ser sustentado.
“Emprego não pode ser apenas número. Precisa vir acompanhado de qualificação e renda digna”, defende.
A expectativa é que novos investimentos industriais e programas habitacionais mantenham o ritmo de contratações nos próximos meses. O desempenho, no entanto, dependerá da estabilidade econômica nacional e da capacidade do estado de atrair novos empreendimentos.
📊 Em resumo:
O Ceará voltou a empregar — e, para milhares de famílias, isso representa mais do que estatística: é recomeço.