Publicado em: 02/02/2026
A crise envolvendo a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) ultrapassou fronteiras e ganhou destaque na imprensa da Coreia do Sul. Jornais asiáticos passaram a repercutir o calote milionário atribuído à Posco, uma das sócias do empreendimento instalado no Ceará, ampliando o desgaste internacional do caso.
A CSP, localizada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, é considerada estratégica para a economia cearense. Emprega diretamente milhares de trabalhadores e movimenta uma extensa cadeia produtiva que envolve transporte, logística, serviços e exportação.
José Arnaldo da Silva, técnico em manutenção industrial, trabalha há oito anos na cadeia de fornecimento da siderúrgica. Ele conta que pequenos atrasos viraram um problema recorrente.
“Primeiro foi um pagamento empurrado, depois contratos renegociados à força. Hoje, tem empresa pequena fechando as portas”, relata.
Segundo dados apurados pelo Page News, a dívida em discussão envolve fornecedores, prestadores de serviço e obrigações financeiras, cujo valor total ainda está sob auditoria. O impacto direto preocupa sindicatos e economistas.
O economista Ricardo Bezerra, professor da UFC e especialista em indústria pesada, explica que o problema vai além de um conflito empresarial.
“Quando uma multinacional desse porte enfrenta instabilidade, o risco é sistêmico. Afeta arrecadação, empregos e a imagem do estado como destino de investimentos”, afirma.
O Governo do Ceará informou, por meio de nota, que acompanha a situação e mantém diálogo com os sócios da CSP para garantir a continuidade das operações e preservar postos de trabalho.
🔎 Por que isso importa?
Porque o Pecém é um dos pilares do desenvolvimento industrial do Nordeste — e qualquer abalo repercute dentro e fora do Brasil.