Publicado em: 02/02/2026
A pré-estação chuvosa no Ceará chegou ao fim com acumulados abaixo da média histórica, apesar das chuvas mais intensas registradas no fim de janeiro. O balanço climático revela que as precipitações, embora volumosas em alguns municípios, foram mal distribuídas no tempo e no território, frustrando as expectativas de agricultores e gestores hídricos.
De acordo com dados consolidados por órgãos de monitoramento climático, a maior parte das chuvas caiu concentrada em apenas uma semana, o que reduziu o impacto positivo no armazenamento de água e no solo.
“Choveu forte, mas choveu pouco tempo. A terra não segura”, resume Antônio Ferreira da Costa, 58 anos, agricultor familiar de Quixeramobim.
Entre a segunda quinzena de janeiro e os últimos dias do mês, várias regiões do estado registraram volumes expressivos em curto intervalo. Em alguns municípios, o acumulado em poucos dias superou o esperado para semanas inteiras.
No entanto, segundo a meteorologista Cláudia Nunes, especialista em climatologia do semiárido, esse tipo de precipitação tem efeito limitado.
“Quando a chuva se concentra em poucos dias, parte da água escorre superficialmente. Não há tempo suficiente para infiltração nem recarga consistente dos reservatórios”, explica.
No Sertão Central e em áreas do Cariri, agricultores relatam que o cenário continua incerto. O plantio, feito com base na expectativa da pré-estação, segue ameaçado.
Francisco Edmilson Rocha, 42 anos, produtor rural de Senador Pompeu, conta que apostou no milho.
“Plantei com esperança. Agora fico olhando pro céu todo dia”, diz.
A irregularidade das chuvas afeta diretamente culturas de subsistência e aumenta o risco de perdas precoces.
Apesar de alguma elevação nos níveis de açudes estratégicos, o volume total armazenado no estado permanece distante do ideal para garantir segurança hídrica prolongada.
Especialistas alertam que chuvas intensas isoladas não compensam meses de déficit. O que sustenta os reservatórios é a regularidade, não apenas a força da precipitação.
Com o encerramento da pré-estação, as atenções agora se concentram na quadra chuvosa, período mais decisivo para o Ceará. Meteorologistas indicam cautela nas previsões e reforçam que o comportamento das chuvas seguirá dependente de fatores climáticos globais.
🌧️ Resumo do cenário:
Choveu forte, choveu rápido — e não choveu o suficiente onde mais precisava.