Publicado em: 02/02/2026
O custo da cesta básica em Fortaleza apresentou redução recente, segundo levantamentos de institutos econômicos locais. A queda atinge principalmente itens como arroz, feijão, óleo e alguns hortifrútis, trazendo um leve alívio para o orçamento das famílias cearenses.
Apesar disso, especialistas alertam: o recuo ainda é insuficiente para reverter o impacto da inflação acumulada, que segue pressionando quem vive com renda de até dois salários mínimos.
“Deu uma melhorada, mas ainda não dá pra dizer que tá barato”, resume Francisco Alves de Lima, 52 anos, porteiro, morador do bairro Mondubim.
Em mercados de bairro e grandes redes, consumidores já percebem pequenas diferenças nas gôndolas. O arroz e o feijão, por exemplo, apresentaram recuo após meses de preços elevados, influenciados por maior oferta e redução nos custos de transporte.
A economista Patrícia Holanda, especialista em consumo e inflação, explica o movimento.
“É uma combinação de fatores: safra mais favorável, menor pressão do dólar e ajustes logísticos. Mas é um cenário frágil”, pontua.
Para famílias numerosas, o impacto positivo é ainda menor. Rita de Cássia Nogueira, 39 anos, auxiliar de serviços gerais e mãe de três filhos, diz que a redução mal aparece no fim do mês.
“O que baixa um pouco num produto, sobe em outro. Carne e gás continuam pesando”, afirma.
Segundo dados de entidades de defesa do consumidor, alimentação e energia ainda concentram a maior parte das despesas das famílias de baixa renda no Ceará.
Estudos mostram que, em Fortaleza, o custo da cesta básica pode comprometer mais de 40% do salário mínimo, especialmente quando somado a aluguel, transporte e contas básicas.
O sociólogo Daniel Frota, pesquisador em desigualdade social, destaca que qualquer variação impacta diretamente a qualidade de vida.
“Quando o preço da comida cai, mesmo pouco, a família consegue respirar. Quando sobe, corta-se o essencial”, analisa.
A previsão para os próximos meses é de estabilidade com oscilações, dependendo do clima, do cenário econômico nacional e dos custos de produção.
🛒 Em resumo:
A cesta básica ficou um pouco mais barata em Fortaleza — mas o alívio ainda é curto para quem vive no limite do orçamento.