Publicado em: 13/01/2026
Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
O som da rotina de trabalho em uma lavoura de morangos em Bom Repouso, no Sul de Minas Gerais, foi brutalmente interrompido pelo eco de disparos de arma de fogo no último domingo (11). O que torna este crime ainda mais estarrecedor é o fato de ele ter sido registrado, em tempo real, por um áudio de WhatsApp enviado pela própria vítima, Patrícia Cezar Nogueira, no momento em que ela foi atingida.
O áudio, que agora integra o inquérito policial, é um retrato cru da violência de gênero que segue fazendo vítimas no início de 2026.
Patrícia aproveitava o intervalo do trabalho na roça para conversar com uma pessoa próxima. No áudio, sua voz é calma, mas relata cansaço e choro matinal.
"Bom dia, amor. Ah, não tô muito bem, não, viu? Olha, eu tô aqui na roça, tô no intervalo aqui, agora que eles foram encher os tanques, mas eu estava chorando cedo, já. Estava sulfatando o morango porque1..." >
(O som de tiros interrompe a fala e o áudio é encerrado)
De acordo com as investigações da Polícia Civil de Minas Gerais, o principal suspeito é o ex-namorado de Patrícia, que não aceitava o fim do relacionamento de menos de um ano. Ele já foi identificado e está sendo procurado pelas autoridades. Um segundo homem foi preso suspeito de ajudar na fuga e ocultação do autor.
O caso de Patrícia não é isolado. Apenas nos primeiros 13 dias de 2026, Minas Gerais já registrou uma série de crimes contra mulheres que acenderam o alerta vermelho na Secretaria de Segurança Pública.
| Região | Caso Registrado (Jan/2026) | Motivação Suspeita |
| Bom Repouso | Patrícia C. Nogueira (Tiros) | Término de namoro |
| Belo Horizonte | Tentativa com gargalo de garrafa | Medida protetiva descumprida |
| Sul de Minas | Bruna Aline (Facadas) | Invasão de domicílio pelo ex |
Estatísticas preliminares apontam que o descumprimento de medidas protetivas e o não aceite do término de relações rápidas (menos de dois anos) têm sido o gatilho principal para a violência doméstica neste verão.
Especialistas em segurança digital e criminologia apontam que o celular tem se tornado, cada vez mais, a "caixa-preta" dos feminicídios. Seja através de áudios como o de Patrícia, ou vídeos de ameaça gravados pelas vítimas (como o caso recente de outra jovem em Ipatinga), a tecnologia está expondo uma realidade que antes ficava confinada a quatro paredes.