Publicado em: 24/01/2026
Uma operação silenciosa, articulada nos bastidores, terminou com um dos maiores golpes recentes contra o crime organizado no Ceará. Na tarde desta sexta-feira (23), uma ação conjunta da Receita Federal e da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) resultou na apreensão de mais de três toneladas de cloridrato de etileno, substância química com alto potencial de uso ilegal, especialmente no refino e adulteração de drogas.
A operação foi conduzida pela Divisão de Vigilância e Repressão ao Contrabando e Descaminho (Direp03), da Receita Federal, em parceria com a Delegacia de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil. O material foi interceptado durante fiscalização direcionada, após meses de monitoramento e cruzamento de informações.
Apesar de pouco conhecido do grande público, o cloridrato de etileno é um produto químico controlado. Quando desviado, pode ser usado na produção de entorpecentes ou em processos ilegais de adulteração, elevando riscos tanto para usuários quanto para a segurança pública.
Segundo investigadores ouvidos pela reportagem, o volume apreendido chama atenção não apenas pela quantidade, mas pelo nível de organização da logística criminosa, que tentava camuflar o transporte da carga como atividade industrial regular.
“Não se trata de um carregamento comum. Estamos falando de toneladas de um insumo sensível, que exige controle rígido. Essa apreensão representa um prejuízo milionário para organizações criminosas”, afirmou um agente envolvido na ação, sob condição de anonimato.
A carga foi encaminhada para perícia, e as investigações continuam para identificar os responsáveis pelo envio, transporte e possível destino final do material. A Denarc trabalha agora para mapear conexões com outras operações e possíveis ramificações interestaduais.
A Receita Federal destacou que ações como essa reforçam a importância da fiscalização integrada, especialmente em um estado estratégico como o Ceará, que possui portos, rodovias e rotas frequentemente visadas pelo crime organizado.
Especialistas em segurança pública avaliam que o enfrentamento ao tráfico passa, cada vez mais, pelo controle de insumos químicos, e não apenas pela apreensão de drogas prontas para consumo.
“Cortar o acesso à matéria-prima é atingir o coração da cadeia criminosa”, explica um delegado da Denarc.
A apreensão é considerada um marco recente no combate ao narcotráfico no estado.